POLÍTICA DO MULTICULTURALISMO COMO REPARAÇÃO PELO COLONIALISMO OCIDENTAL: UMA RECOLOCAÇÃO DO PARADIGMA NORMATIVO DA MODERNIDADE
DOI:
https://doi.org/10.20911/21769389v46n144p149/2019Abstract
Partindo de uma crítica à naturalização e à despolitização do paradigma normativo da modernidade, por teorias filosófico-sociológicas contemporâneas, que associam-na diretamente ao universalismo e concebem-na como o estágio final da evolução humana (em termos de consciência epistemológico-moral, de cultura e de organização material), contrariamente ao tradicionalismo, eu argumento que a modernidade não é um paradigma epistemológico-moral universalista e nem uma organização societal material a partir dos quais o multiculturalismo pode ser reunido, promovido e guiado, particularmente no que se refere ao contexto internacional. Como consequência, eu nego a associação direta, por tais teorias filosófico-sociológicas, entre universalismo, cosmopolitismo e globalização com a modernização epistemológica, cultural e econômica. Em outros termos, uniÂversalismo não significa modernização, da mesma forma como ele não justifica a prossecução totalizante da modernidade como paradigma e forma de vida material-institucional para todos os contextos e como condição da estabilidade destes. Com o conceito de reparação pelo colonialismo ocidental, eu proponho uma reformulação do paradigma da modernidade que começa com o reconhecimento da cegueira histórico-sociológica no que diz respeito à ligação intrínseca entre a normatividade moderna e a Realpolitik do colonialismo moderno, cegueira esta que implica na afirmação de que a modernidade é autorreflexiva desde dentro, justificando-a como o paradigm básico tanto para o contexto da modernidaÂde quanto para a esfera política internacional. Como consequência, ela pode continuar enquanto paradigma universal e projeto ético-político cosmopolita. Baseada naquela separação, a modernidade pode sempre servir como ponto de partida e como ponto de chegada ao universalismo, de modo que a modernização transforma-se no próprio universalismo.








