SE HEIDEGGER FOI UM “TEÓLOGO DESCRENTE”, ABRANCHES DE SOVERAL TERÁ SIDO UM TEÍSTA HEIDEGGERIANO
DOI:
https://doi.org/10.20911/21769389v53n165p133/2026Resumo
Eduardo Abranches de Soveral é um filósofo português fundamental na receção da filosofia heideggeriana do Ser em contexto lusófono. A particularidade da sua hermenêutica reside no facto de fazer emergir da filosofia de Heidegger um teísmo implícito, ligado ao apelo do Ser. Soveral argumenta que, apesar de Heidegger rejeitar o Deus pessoal do cristianismo, a sua filosofia mantém uma abertura, intrínseca à finitude humana, ao Absoluto. Explorando a crítica de Heidegger ao tecnicismo moderno, Soveral desconstrói o ideal moderno de uma radical autonomia absoluta, propondo uma antropologia que vincula ontologicamente o sujeito humano ao Ser. Procuramos mostrar aqui como, através de Soveral, se pode ler o Dasein heideggeriano como um “ato segundo”, dependente de um “ato primeiro” referente ao Ser absoluto. Além disso, exploramos a fenomenologia de Soveral, no sentido de mostrar que se trata de uma abordagem performativa, no sentido de conduzir a ação humana à plena realização do seu ser na relação com o Absoluto.
Palavras-chave: Abranches de Soveral. Teísmo. Heidegger.








