O QUE É ESSA DOR QUE EU SINTO? SOBRE A IMPORTÂNCIA DO SISTEMA NOCICEPTIVO PARA A EXPERIÊNCIA INTEROCEPTIVA DA DOR
DOI:
https://doi.org/10.20911/21769389v51n161p577/2024Resumo
Embora a natureza multidimensional da experiência da dor seja reconhecida por muitos pesquisadores, as relações entre as dimensões nem sempre são esclarecidas. Uma questão importante diz respeito à relação entre o sistema nociceptivo, que faz parte do sistema nervoso periférico, e a experiência interoceptiva da dor, que é invadida por processos cognitivos e emocionais. Alguns pesquisadores em neurociência, bem como em filosofia, defendem o que chamaremos de “tese da dispensabilidade”: que o sistema nociceptivo é contingente à experiência da dor. Consequentemente, a ativação nociceptiva é suficiente, mas não necessária para a experiência da dor. À primeira vista, essa visão pode explicar casos difíceis de diagnosticar, como certos tipos de dor crônica e dor de membro fantasma. No entanto, o problema com essa visão é que ela não aborda dois desideratos das teorias da dor: primeiro, uma questão conceitual, consiste na dificuldade experimentada por pacientes com dor crônica em relatar sua própria dor. Segundo, uma questão empírica, relacionada a pesquisas recentes que relacionam dor crônica a problemas no processamento do sinal de dor devido a uma hipersensibilidade do sistema nociceptivo que sobrecarrega a interocepção. Esses dois desiderata estão intimamente conectados: a hipersensibilidade do sistema nociceptivo sobrecarrega a interocepção, excedendo assim as capacidades descritivas dos pacientes. Assim, argumentaremos que para uma teoria da dor atender a esses desiderata, ela deve se comprometer com a indispensabilidade do sistema nociceptivo.
Palavras-chave: Dor. Nocicepção. Filosofia da dor. Filosofia da mente.








