DUAS LEITURAS DE PLATÃO: SIMONE WEIL ET MARTIN HEIDEGGER

Autores

  • Maria da Penha Villela Petit

DOI:

https://doi.org/10.20911/21769389v31n101p333-358/2004

Palavras-chave:

M. Heidegger, S. Weil, Platão, metafísica, cristianismo, bem

Resumo

O que o próprio Heidegger chamou de virada (Kehre) do seu pensamento, no início dos anos trinta, tem diretamente a ver com sua maneira de entender Platão. Ao Platão que ele saudava como tendo promovido a questão do ser, se substitui o Platão tido como iniciador da metafísica e, junto com Sócrates, precursor do cristianismo. Ora, segundo Heidegger, é tal configuração metafísica que requer ser ultrapassada por uma apropriação mais originária do Ser. O afastamento de Heidegger do cristianismo incide assim de maneira cabal sobre sua interpretação de Platão. O contrário ocorre com Simone Weil. Aproximando-se do Cristo, ela descobre um Platão cujo pensamento apresenta grandes afinidades com as intuições cristãs. Donde sua ênfase sobre « o desejo do Bem », que reside em todo homem, e sua equação entre o Bem em Platão e o Deus da revelação cristã em sua dimensão « impessoal ». É, portanto, em torno da interpretação da alegoria da caverna e sobretudo da questão do Bem abordada por Heidegger no curso « Da essência da verdade » (Vom Wesen der Wahrheit) e no ensaio « A doutrina de Platão sobre a verdade » (Platons Lehre von der Wahrheit) que a distância entre as duas leituras de Platão se manifesta  Comunicação apresentada em  8/8/2003 no Colóquio «Simone Weil e a Grécia» organizado pelo Prof. Fernando Rey Puente em parceria com o Núcleo de Estudos Antigos e Medievais da em todo seu vigor. Além de inaceitável, a visão heideggeriana do Bem em Platão parece-nos ditada por motivos amplamente questionáveis, enquanto que a leitura weiliana revela a potencialidade da analogia no campo do pensamento.

Abstract : Heidegger's turn (Kehre), which took place in the beginning of the thirties, is directly related to his interpretation of Plato. The « Plato » whom he first praised for having promoted the question of the Being, is replaced by the « Plato » seen as the one who started metaphysics and, together with Socrates, was the precursor of christianity. In fact, for Heidegger, a more originary appropriation of the Being goes beyond this metaphysical configuration. Thus, Heidegger's drift from christianity had a manifest effect on his reading of Plato. The opposite occurs with Simone Weil. After encountering Christ, she discovers in Plato's thought elements akin to christian intuitions. She stresses that the “desire of the Good” is present in every man and equates the Good in Plato with the God of christian revelation in its impersonal dimension. It is indeed in the understanding of the cave allegory and, above all, of the idea of the Good that the two « readings » differ most vividly. The Heideggerian hermeneutics of the Good in Plato is unacceptable and, moreover, seems to be dictated by controversial motivations, while the Weilien reading of Plato reveals thepotentiality of the analogy in the realm of thought. 

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Publicado

2004-01-03

Edição

Seção

Artigos