O teatro de Anchieta entre o litúrgico e o eclesiológico: uma resposta inculturada a uma sociedade marcada por muitas crises

Autores

  • Felipe de Assunção Soriano

Resumo

O teatro de Anchieta constituiu um avanço significativo no diálogo da Companhia de Jesus com seus públicos, propondo uma saída às múltiplas crises sociais, políticas, morais e religiosas. A originalidade do seu discurso está em oferecer uma interpretação em modo sistêmico das questões do seu tempo sem se reduzir a mera repetição. Mesmo sem se distanciar das pretensões do Concílio de Trento, o teatro anchietano visa ser uma propaganda brasilés entre o litúrgico e eclesiológico. Não diferente daquilo que era feito em Coimbra, o teatro que nasce na aldeia de Piratininga só difere no público, na sonoridade e na língua. Mesmo sendo devedor do estilo vicentino no tocante à crítica e à satírica, seus espetáculos são um roteiro que aponta para uma nova adaptação ao Diálogo da Fé (Catecismo). Sua interface entre o litúrgico e o eclesiológico oferece uma resposta criativa por meio de suas alegorias alcançando o nativo e o colono, porque a liturgia aparece em sua catequese como cume e fonte para uma eclesiologia social. Em linha geral, em sua opção aparecem plasticamente três vertentes que estão como saída a partir do litúrgico centradas na piedade popular, na adesão aos sacramentos e na reforma dos costumes.

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Publicado

2021-12-17