A crítica ética de Vaz à modernidade e as bases para a ética da casa comum

Autores

  • Isaias Mendes Barbosa

Resumo

Lima Vaz não compreende a modernidade em termos históricos ou sociológicos, mas como conceito filosófico, fundamento determinante de sua abordagem ética. Daí justificar ser da Ética filosófica vaziana o espaço a priori de compreensão da modernidade pós-cristã como universo simbólico e representativo da realidade, formado por razões elaboradas e codificadas, mas cuja orientação determinante é a de uma razão instrumental e técnica, negadora da Ética (clássica) que estava em evolução até então. Por essa via objetiva-se apresentar a crítica ética vaziana à modernidade, carente de uma Ética universal, e a possibilidade de uma nova Ética. Por conseguinte, o presente artigo apresenta os elementos fundamentais de uma “Ética da Terra” em Leonardo Boff e de uma “Ética” da “Casa Comum” no Papa Francisco, na tentativa de oferecer luzes de esperança aos problemas da modernidade contemporânea. Para tal intento se faz necessário a hermenêutica de algumas obras dos (e sobre os) referidos autores. A objetivação da temática se detém em três tópicos: i) do ethos à Ética filosófica em Lima Vaz, ii) a crítica de Lima Vaz à modernidade: observações éticas e iii) as bases para a “Ética da Terra” em Leonardo Boff e (ou) a “Ética” da “Casa Comum” no Papa Francisco. A título de conclusão Lima Vaz fala da perda do sentido ético e metafísico do ser porque passa a civilização moderna. Na busca de um novo sentido ético para a sociedade, ele sustenta: a proposta de reflexão sobre a estrutura objetiva da racionalidade que fundara as comunidades éticas, a recuperação dos elementos fundamentais que constituíram a Ética enquanto Ciência do ethos, a retomada do polo metafísico e espiritual da Ética, a emergência de um novo paradigma de razão para uma civilização universal, o reconhecimento, a rearticulação dos níveis estruturais do existir comunitário e a figura da Transcendência. Em certa aproximação com a postura ética de Lima Vaz está a proposta de Leonardo Boff de uma “Ética da Terra”, pautada pelo inovado paradigma ecológico. Boff também apresenta uma postura crítica frente à modernidade e a emergência de uma ética teológica integral, que se dirija para o alto e busque salvaguardar a vida, os diversos seres bióticos e abióticos assim como a própria Mãe Terra. Ele lança os precedentes históricos, as ordenações fundamentais, os quatro princípios e as quatro virtudes de uma “Ética da Terra”, enquanto Casa Comum. Papa Francisco, por sua vez, segue uma linha convergente aos dois pensadores pela crítica à modernidade que se encontra num estágio de deterioração da Ética, da Cultura e da Ecologia. No discurso de Francisco há os aportes – da fé, do bem comum, do diálogo, da solidariedade, da compaixão, além de outros princípios – que fundamentam uma “Ética” do “Cuidado da Casa Comum”.

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Publicado

2020-12-09