Leib e corpo próprio – um diálogo entre a fenomenologia de Husserl e a antropologia de Henrique de Lima Vaz

Autores

  • José Honorato Pereira

Resumo

O presente trabalho, “LEIB E O CORPO PRÓPRIO – Um Diálogo Entre a Fenomenologia de Husserl e a Antropologia de Henrique de Lima Vaz”, tem como escopo a temática do corpo (Körper, Leib e Corpo-Próprio), que se desenvolverá por meio da projeção tanto do pensamento fenomenológico de Edmund Husserl e a Antropologia Filosófica de Henrique Cláudio de Lima Vaz. Assim, elencar-se-á os elementos que darão o suporte necessário à busca por uma compreensão mais ampla sobre o corpo em si e de suas funções no que concerne à significação plena de sua presença, sendo que, encontrar-se-á envolta em uma dimensão humana existencial. Então, em E. Husserl ter-se-á as experiências do Körper, que de forma compreensiva, objetivará afirmá-lo como vivência, ou seja, como Leib, envolvendo os eventos que culminarão e compreenderão as propostas que ampliarão as percepções do próprio corpo para além do simples ser e ter um corpo. Desta forma, ele será compreendido como condição, que representará sua mobilidade, que, se apresenta a partir das sensações e percepções, tornando possível os movimentos deflagrados estímulos e, por meio deles, poder-se-á se mostrar em ato, por onde, seu horizonte, a espacialidade, estabelecerá relações com e os objetos de maneira geral, passando a ser visto como a condição que possibilitará todas as experiências. Portanto, o leib, será explicado e explicitado no que é vivo, vivido e vivenciado. Já, no que tange à Antropologia Filosófica de H. de Lima Vaz, partir-se-á do corpo próprio, que se firmará como o que caracteriza e situa o homem, no tocante à corporeidade, que tem como ponto central, a tematização do homem no mundo por seu corpo. No entanto, sua atenção não será canalizada específica e unicamente, nos domínios físicos e biológicos. Contudo, não quer dizer que os desprezará, mas, estes aspectos (físicos e Biológicos), serão tratados como partes constituintes da expressão do ser do homem, sendo, portanto, uma estrutura fundamental, que levará em conta as percepções e as experiências e estas, ligadas à capacidade de transcender, evidenciando, dessa forma, a existência de uma consciência plena sobre o seu papel e sua importância. Assim, estruturalmente, poder-se-á categorizá-lo em sua totalidade, considerando-o tanto em sua exterioridade, quanto em sua interioridade, afirmando-se dialeticamente sua base predicativa e nesta estabelecer-se-á a pluralidade que define o homem em sua corporeidade, circunscrevendo uma espacialidade temporal que, intencionalmente, se faz presente em seu ser. Assim, em Vaz, a utilização do conceito de corpo próprio designa o atributo fundamental que expressa o ser sujeito sobre o próprio sujeito. Então, ambos buscaram, tanto por meio das reflexões fenomenológicas, quanto pelas análises e sínteses antropológicas, superar as visões reducionistas, dicotômicas e dualistas presentes nas abordagens das vertentes que os precederam, podendo concluir que a categorização da corporeidade será o ponto de partida no processo de compreensibilidade do autoconhecer, por meio do qual se estabelecerá a essencial condição do ser corporal do homem.

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Publicado

2020-12-09