Subversivos das Gerais: Uma igreja investigada

Autores

  • Raquel Marques Soares

Resumo

Muito se fala sobre o apoio do clero ao golpe civil militar, sendo a realização das Marchas da Família com Deus, uma grande expressão da legitimação religiosa a tomada de poder pelos militares. Ao falarmos sobre a atuação cristã dentro do campo político brasileiro, precisamos quebrar a ideia de um bloco hegemônico dentro da Igreja. Embora podemos notar um crescente avanço dos setores progressistas, sobretudo após o Concilio do Vaticano II, precisamos pensar na existência de um conflito no seio do consenso da religião, que é sempre dividido pela história entre conservadores e progressistas. Por isso, encontramos uma significativa parcela do clero posicionando-se contra o regime e abrindo as portas das igrejas e congregações para os movimentos sociais. O presente trabalho, tem como objetivo, fazer uma breve análise das ações dos religiosos atuantes no estado de Minas Gerais. Para isso, analisamos obras autobiográficas, depoimentos orais, parte do acervo filmográfico do Museu da Imagem e do Som - BH e arquivos de investigações da Polícia Política Mineira, presentes no Arquivo Público Mineiro. O período compreendido entre 1964-1988, é marcado na história por diversas disputas de memória, sobre os acontecimentos envolvendo o golpe civil militar, gerando ainda vários debates na nossa sociedade. Se por um lado, temos um esquecimento das memórias dos vencedores, enquanto há uma pluralidade de memórias dos vencidos, por outro, a memória dos vencedores, ou daqueles que resistiram ao golpe, é fortemente marcada pelo eixo Rio-São Paulo, centros onde concentram-se grande parte dos estudos historiográficos sobre o período. O levantamento das fontes utilizadas nesse trabalho, foi realizado durante as pesquisas para a Comissão da Verdade da em Minas Gerais, para detalharmos casos de perseguição as igrejas e religiosos. A parcela do clero progressista aqui estudada, sofreu investigações e perseguições, além de ter sido considerada subversiva. No campo político, a importância desses religiosos é dada pela oposição contra a ditadura denúncia das arbitrariedades, torturas e pela importante voz a busca pelos direitos humanos. Trabalhos como o da Comissão da Verdade, são de extrema importância para o processo de justiça e reparação e para a constituição de memórias plurais sobre a resistência ao regime militar.

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Publicado

2018-11-20