O “Dia do Soldado” e a exemplaridade do passado

Autores

  • Erika Morais Cerqueira

Resumo

As comemorações cívicas podem ser compreendidas como uma espécie de rito que ambiciona sacralizar uma determinada versão do passado nacional e fixá-la na memória social, quer se trate de um acontecimento específico ou de alguma personalidade histórica. Prática que tende a re-presentificar pontos altos do devir pátrio, mediante a montagem de “lições vivas” de história, sob a forma de “um culto encenado” e dirigido aos “grandes homens” e aos “grandes acontecimentos” do passado, de maneira a popularizar interpretações consensuais na memória coletiva. No Brasil, coube a Gustavo Barroso a criação e a implementação de uma série de rituais, cerimônias e celebrações cívicas, que visavam, por um lado, “cultuar a tradição histórica do Exército” e, por outro, “despertar a nação para novos feitos”. Importante instrumento de arregimentação da nação, o Dia do Soldado constituiu um dos principais projetos apresentados por Barroso à Câmara dos Deputados, durante sua atuação como Deputado Federal pelo Ceará (1915-1917), além de ter mobilizado significativo debate na Imprensa. O Objetivo deste trabalho é analisar o projeto de criação do Dia do Soldado e o debate que se seguiu, tanto na Câmara dos Deputados, quanto na Imprensa. Intenta-se discutir o primeiro programa de festejos, assim como o papel que seu idealizador ocupou neste evento.

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Publicado

2018-11-20