UMA ABORDAGEM RICOEURIANA SOBRE O CORPO: ENTRE A FENOMENOLOGIA E A PSICANALISE

Autores

  • René Dentz

Palavras-chave:

Fenomenologia, Corpo, Inconsciente, Semântica, Desejo.

Resumo

Para Ricoeur, a psicanálise revela uma linguagem típica, que consiste na fala do homem que deseja, isto é, a semântica do desejo que se manifesta em suas produções psíquicas, nestas incluídos o sonho e as grandes manifestações da cultura, como o mito, a arte, as ilusões e os ideais. A problemática da linguagem é lugar para suas investigações sobre a psicanálise e sobre a conexão do desejo com a palavra, bem como “de uma dinâmica de forças com a semântica do desejo, das vicissitudes das pulsões com as vicissitudes do sentido, de uma energética com uma hermenêutica” (MATTEO, 2000, p. 129). Nesse momento, Ricoeur se aproxima de outro caminho de interpretação da Psicanálise, por meio da proposta de Jean Laplanche. Este propõe uma retomada da definição freudiana de inconsciente, defendendo a ideia de que o inconsciente seria a condição da linguagem (e não como Lacan queria). Trata-se de uma posição mais próxima da energética de Freud, a qual Ricoeur faz mais referência e é por ela mais impactado. Além disso, essa concepção corresponde à problemática do corpo-próprio que é aquela concepção fenomenológica proposta por Merleau-Ponty e trabalhada por Ricoeur em Soi-même comme un autre, que abordaremos mais tarde, no tópico sobre a liberdade a partir da hermenêutica da ação. Franco (1995, p. 190-191) aponta a leitura ricoeuriana de que, em um primeiro momento, a compreensão do inconsciente como linguagem pode ser vista como elemento de aproximação entre fenomenologia e psicanálise, porquanto o tratamento analítico do paciente acontece a partir de sua fala. Por outro lado, acrescenta que isso não equivale a dizer que o inconsciente porte uma língua no sentido colocado por Saussure, como no caso do recalque, um processo que não pode ser expresso linguisticamente. Ricoeur explica que o termo, “linguística”, pode ser aplicado na psicanálise se tomado em um sentido amplo: “O analista tomará, pois, o discurso como intérprete de outra ”˜linguagem' que em suas regras, seus símbolos e sua sintaxe própria e que remete às estruturas profundas do psiquismo” (RICOEUR, 1977, 317). No dizer de Franco (1995, p. 45), a linguagem se refere à racionalidade e ao télos, mas também à realidade singular de cada experiência; desse modo, tanto a linguística como a fenomenologia existencial estariam equivocadas para Ricoeur.

Biografia do Autor

René Dentz

Doutorando em Teologia FAJE - Bolsista CAPES

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Publicado

2017-10-09