XIII Simpósio Filosófico-Teológico
XIII Simpósio Internacional Filosófico-Teológico

XIII Simpósio Internacional Filosófico-Teológico “Em Busca do Bem Comum: Política e Economia nas Sociedades Contemporâneas”

Propor uma reflexão sobre o bem comum é tarefa inescusável, para iluminar a vida das sociedades, numa época em que a busca pelo poder e pelo lucro parece dominar as relações entre as pessoas e os povos. O conceito de bem comum tem sido afirmado, por filósofos e teólogos, como motor fundamental que deveria guiar as intenções e decisões de quem vive em sociedade. Como nos recorda o Papa Francisco: “A dignidade de cada pessoa humana e o bem comum são questões que deveriam estruturar toda política econômica” (Evangelii Gaudium, n. 203).

A análise filosófica distingue três elementos na noção de bem comum. O primeiro e mais evidente é o dos “bens da comunidade”, como suas riquezas, tradições culturais e patrimônios históricos. O segundo elemento, mais discutido, é o da “comunidade dos bens”, ou seja, como os membros de dada sociedade participam de modo equitativo dos bens possuídos, que mecanismos asseguram tal participação e como pensar, por exemplo, as tensões entre participação e privatização das riquezas de um país. O terceiro elemento é o normativo, ou seja, o “Bem” compreendido como meta que guiará a organização dos bens da comunidade, a fim de se criar uma comunidade de bens. Este terceiro elemento supera os âmbitos da economia, concebida como simples produção de riquezas, e da política, enquanto gerenciadora dos conflitos sociais. Além disso, ele exerce uma função articuladora entre as riquezas (economia) e a sua distribuição justa (política). Trata-se do princípio que conduz à ordem verdadeira na vida social, capaz de guiar as autoridades, os empreendedores e todos os membros da sociedade na promoção de uma maior “comunhão”.

Portanto, o conceito de Bem comum, em sua tríplice dimensão, atesta a insuficiência da abundância de riquezas de diversa natureza, para se criar uma ordem justa, pois esta exige que todos participem equitativa e proporcionalmente nas riquezas da sociedade. Finalmente, a garantia de tal participação depende de uma dimensão normativa superior, capaz de guiar todos os cidadãos e, sobretudo, as autoridades, no estabelecimento das instituições e das regras da justiça.

Naturalmente, este princípio superior foi considerado divino e identificado com o Deus revelado da tradição judaico-cristã, pela Teologia. Ou terá sido recolhido dos jardins das religiões e refletido no campo luminoso do pensamento? Seja como for, a identificação do princípio da ordem social com o polo divino da realidade, e os diversos modos como este se relaciona com o ser humano ou se apresenta espelhado no cosmos, é característico da história política e econômica dos povos. Há, portanto, uma articulação entre a reflexão filosófica sobre o bem comum e a reflexão teológica judaico-cristã quando esta, por exemplo, se refere à Criação, ao Reino de Deus, à Justiça, ao cuidado com o órfão, a viúva e o pobre, à acolhida do estrangeiro, à Salvação e, enfim, à Sabedoria. O desejo humano de criar uma ordem justa converge com a vontade divina de salvar a humanidade.

Para explicitar esta convergência, basta dar-se conta de que o mundo compreendido como dom da Criação e o cuidado deste dom, na busca de uma ecologia integral, podem inspirar os que buscam modelos de desenvolvimento sustentável. Além disso, para o cristão, o acontecimento da Revelação afirma a dignidade absoluta do ser humano, pois Deus se revela a todos e não apenas a um grupo privilegiado. O bem da sociedade, em consequência, deve ser bem comum e as diferenças na participação dos bens devem encontrar limites institucionais que garantam sua justa distribuição. Eis porque práticas políticas e econômicas separadas da ética do bem comum contradizem inteiramente a visão cristã do mundo e todo pensamento crítico nela inspirado. Finalmente, nesta visão convergente entre o humano e o divino, desenvolvimento e justiça não podem concernir apenas ao acúmulo e à distribuição de riquezas, mas devem orientar-se ao crescimento da liberdade e das capacidades dos cidadãos. A dimensão espiritual do ser humano encontra-se em jogo na ação política e econômica.

O XIII Simpósio Internacional Filosófico-Teológico da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE) assume o desafio de promover o debate científico a respeito do problema atual da “Busca do Bem Comum”, no contexto de crises econômicas e políticas que afetam as sociedades contemporâneas. Com esta finalidade, reuniremos pesquisadores de diversas áreas, no esforço de discernir seus variados eixos: histórico, filosófico, teológico, econômico, político, sociológico, ecológico. O horizonte das investigações é imenso, porém o objetivo é preciso: contribuir para o esclarecimento da crise espiritual que afeta nossas sociedades, com especial atenção às dimensões econômica e política. Seria verdade, como afirmam pesquisadores de múltiplas áreas, que nossas sociedades encontram-se mergulhadas em processos econômicos e políticos ilusórios ou violentos, a nos afastar da ordem do bem comum?  Haveria, enfim, razões para se esperar um futuro melhor?

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